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CAZUZA E O SEU AGENOR Enviar por e-mail
Crônicas - Crônicas
Escrito por: JCostaJr
JCostaJr

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Ter, 09 de Março de 2010 23:03

altPara muitos causa espanto que já no século XXI a sociedade ainda cultue ídolos que levam vida promíscua e irresponsável, conseqüência quase sempre de suas revoltas, frustrações sentimentais, sua necessidade de solidão para criar e para suportar a vida.

Face o exposto, percebe-se a consistência do ensinamento Espírita Kardecista: A evolução moral do espírito nem sempre acompanha a sua evolução intelectual.

Nós, espíritos encarnados, somos em essência coração e mente. Quem não ama a si próprio, não mede as possíveis conseqüências dos seus atos para a vida dos outros. Pior, sequer tem consciência delas.

Pessoas públicas, os artistas, por exemplo, são referências nos quais se espelham os adolescentes e os jovens, indivíduos cujo caráter ainda está em formação.

Alguns consideram que ao artista tudo se permite. Eu mesmo já acreditei nessa teoria que percebi depois insustentável senão ridícula.

Uma pessoa pública é alguém que se destaca na multidão. Portanto, é alguém que possui uma missão a cumprir, que concorra de alguma forma para o progresso da humanidade.

A todo aquele que são concedidos direitos também são cobrados deveres.

Não fosse assim cairia por terra uma consoladora idéia da justiça divina, frente à qual somos todos iguais, preceito comum de todas as religiões cristãs.

Cazuza, morto em 1990 aos 32 anos e um dos maiores poetas do rock nacional pode ser compreendido de duas maneiras: Um artista brilhante; um ser humano falho, como todos nós, com dois agravantes: alguns de seus hábitos eram deploráveis; e, portanto, repercutiram e ainda repercutem na sociedade, muito mais do que os meus ou os seus erros, estimado leitor, porque Cazuza era pessoa pública, era referência.

Assim, as responsabilidades dele foram maiores do que as nossas, uma vez que os direitos dele, os privilégios de que dispunha foram igualmente maiores.

Essa personalidade dúbia pode ser vista como uma contradição. Cazuza, o Filme da cineasta Sandra Werneck poderia ter evidenciado tal contradição se a proposta fosse esta. O que parece não ter sido. Se fosse, seria uma vez mais reconhecido e afirmado o talento indiscutível do artista Cazuza, e demonstrado como exemplo a ser evitado o cidadão Agenor de Miranda Araújo Neto, o verdadeiro nome de Cazuza.

Nem um nem outro, entretanto, devem ser acusados ou culpados porque isso não nos compete. Mas, analisados e compreendidos. Ambos, como cada um de nós, são aprendizes e donos de uma história que conforme nos ensina o eminente espírito Emannuel, não se conhece desde o início.

Glauber Rocha dizia: “A função do artista é violentar a arte”. E nós, ousamos adicionar à máxima do inesquecível e igualmente brilhante cineasta baiano: A arte. Não o ser humano.



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CAZUZA E O SEU AGENOR
Ter, 09 de Março de 2010

© 2010 - Autores.com.br


Última atualização em Qua, 10 de Março de 2010 07:17
 
Comentários (13)
  • Abreu
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    Ontem, mais uma vez, tive o prazer em assistir mais um especial sobre Cazuza. O reverenciei como ídolo não pela suas atitudes fora do palco, mas por letras tocantes, as quais acompanharam muitos de meus momentos de rebeldia. E eu e muitos outros jovens nos identificávamos com ele por suas letras instigantes. E hoje posso afirmar que em nenhum momento seu estilo e postura extra palco nos incitou ou influenciou. Sei que cada música que ouço lembra-me um momento marcante em minha vida.
  • tania_martins
    avatar
    Concordo com vc,JCosta.Otimo texto.
  • guenia
    avatar
    Impecável texto, como os demais. O meu abraço e admiração por você.
  • Niki_
    avatar
    Concordo contigo Abreu, em partes, acontece que pessoas como vc e tantos outros, não são influenciáveis,como eu tb não o sou, mas confesso, me preocupa os jovens, eles se iludem com aquele glamour todo e isto é complicado, tenho como o máximo da música Renato Russo, excelente compositor e cantor(sou fã), mas...sempre digo as minhas filhas(tenho tres)que devemos apreciar o trabalho do ator,autor cantor, poeta...a vida pessoal dele não deve nos interessar, somente o trabalho.Excelente texto J.estrelas. :love:
  • Luciene_Aguiar
    avatar
    Texto muito bem escrito, JCosta. 5 estrelas. Abraços.
  • RaymundoLuizLopes
    avatar
    No texto percebo elementos necessários para a reflexão. Importante o pensamento espírita, citado por você, que busca esclarecer a questão humana na Terra e os meios para o desenvolvimento pessoal e social. Uma coisa é a obra do artista, outra coisa é a vida que cada um deles leva. Infelizmente, alguns fenômenos e celebridades, tanto no campo da arte, quanto no do esporte, por ex., não são modelos de ética, cidadania, honestidade, etc. Já tinha assistido ao filme 'Cazuza'. Valeu, mas, acho que além de mostrar as maravilhosas composições dele, o sucesso..., o cineasta poderia, ao evidenciar a vida do sensível artista, não reforçar os desvios de conduta e, sim, deixar mensagens que mostrassem o perigo de caminhos tortuosos. Nem por isso, deixo de ouvir LPs de Cazuza na sua melhor fase e CDs. Sabe-se que a família, a escola, o poder público e privado estão sem metas precisas/cidadãs/afirmativas para enfrentar/modificar a violência nos seus vários níveis. Outra coisa, valeu a lembrança do notável Glauber Rocha, da geração anterior a minha, mas, que acompanhei de perto, inclusive assistindo à realização/produção de seus filmes em alguns locais da Bahia, desde os anos 60.Parabéns!!
  • Nadi
    avatar
    Parabéns JCostaJr. Geralmene o artista talentoso, esquece até de sua identidade, cabe a nós olhar para sua arte, é quase impossível juntar os dois, afinal cada um tem sua missão aqui. Admiro Cazuza, já o cidadão Agenor...Não serve como exemplo. A pior fase de um artista, é quando o coração toma grande distância do cérebro. Bjs estrelas
  • rackel
    avatar
    Embora a arte deva ser dissociada da pessoa do autor, é indiscutível que a pessoa pública influencia multidões e muitas figuras públicas carregam esta dubiedade que tu apontas. Resta a nós, consumidores da arte em suas diversas manifestações criar essa separação entre autor e obra. Teu texto é um alerta e um guia para isto. Excelente reflexão.
  • Pamaro
    avatar
    O mal está na mídia, que valoriza demais o artista e acaba expondo "tudo" sobre sua vida particular, que deveria ser preservada. Então, aqueles que ainda não têm formação moral completa acabam copiando os bons e maus exemplos. Abraços.
  • Eliza
    avatar
    Ótimo texto J.! Mais uma reflexão. Parabéns!! Tem toda minha admiração Beijos :D :love:
  • veruska
    avatar
    Um texto muito bem elaborado que nos faz reflectir, sobre tudo o que ainda se desconhece sobre este tema. Não eu, que tiver experiências reais durante toda a minha vida, que são provas irrefutáveis que tudo o que se diz, está longe de ser pura especulação: É a verdade a que alguns ainda se recusam a aceitar... Parabéns.
  • celinavasques
    avatar
    Estrelando amigo poeta com louvor! beijos meus!
  • rosanaf
    avatar
    Muito bom texto, meu amigo. Também assistí ao filme e confesso que me chocou tomar conhecimento da vida pessoal degradante de Cazuza. Uma pena, porque seu talento era óbvio e poderia estar aí até hoje, mas o que é semeado é colhido, e neste caso, cedo demais. Sem dúvida, Agenor não é um exemplo a ser seguido, mas Cazuza sim, um talento a ser apreciado. Parabéns mais uma vez! Estrelas!
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