
| O CARRO PRETO |
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| Literatura - Contos - Ficção |
Escrito por: PMCV![]() |
Seg, 01 de Março de 2010 09:49 |
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-Você está pensativo... Ele se mantém dirigindo, com a atenção ao vidro à frente e responde: - É tou meio “encucado” com aquele cara do carro preto... Ela entende-o. Sim, o sujeito no carro estava como se aguardasse alguém. Mas, não lhes seria apenas impressão? A voz dele retorna lenta, detalhando-se: - Tou “calejado” pela vida, sei perceber as coisas... Emudecem. O automóvel avança mais veloz, aproveitando o resumido movimento de um ou outro veículo na avenida. A madrugada vai alta. Os edifícios laterais se mostram assim nas horas mortas, mais imponentes, modernos, bonitos. Por que o fascínio pelo bairro burguês, que bem sabe, esconde tantas angústias? Contudo, o que vale é a aparência. A hipocrisia de tudo esconder através do visual... A mão de longos dedos pousa no seu ombro. Solidária. Compreensiva. Ele sorri grato a jovem morena, recente amante. Como é bom se ter dinheiro, condição para se obter o que se deseja! Mas, pelo retrovisor enxerga o carro preto seguindo-o a pouca distância. Então... - Pode ser que eu esteja enganado, mas aquele carro preto está nos acompanhando. Voltando-se, ela também percebe o auto. Sim, o Vandro está certo. - Quem danado será meu querido? Em seu mundo a traição é uma constante. E agora que o “negócio” está crescendo, que a mercadoria “branca” ganha a praça, a concorrência tudo fará para tirá-lo do mercado! Então prático, ante os olhos perplexos da mulher, abre o cofre e retira a arma, para se defender. O sinal aí fecha, e o carro preto então se avizinha muito rápido e o braço tatuado, brancoso, do sujeito grandalhão se ergue e pela janela do vidro descido da porta, a mão que segura a arma faz os disparos. O casal é atingido em cheio e com a direção desgovernada o automóvel vai de encontro ao poste defronte. O outro carro estaciona. O homenzarrão desce e se aproxima para se certificar se as vítimas ainda vivem. E novos disparos explodem na madrugada, que indiferente a tudo, continua a marcha dentro do tempo. - O safado e a sua “gatinha” se apagaram! Diz o pistoleiro e retrocedendo ao veículo, acelera partindo, distanciando-se da missão que acaba de executar. Sob o banco esconde a arma e retirando o celular do bolso da camisa, faz a ligação: - Os pombinhos tão descansando. Tá apareço sim. Devolve o aparelho ao bolso e frio, profissional, liga o som, para distrair o espírito. Assoviando a música do “forró”, sucesso do momento. O carro preto distancia-se. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
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03/03/2010 - 20:21:23 |Registered| tania_martins
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04/03/2010 - 04:07:22 |Registered| Abreu
O safado, a vítima da emboscada. A gatinha, a inocente queima de arquivo. Ele merecedor ou não, deveria estar vivo a pagar pelos erros cometidos. E esta vida injusta nos impõe um paradoxo. Executaram alguém pelo erro infligido, levando a rodo inocente presente e como resultado criou-se novos assassinos: o executante e o mandante. Onde mora a lógica do negócio?
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04/03/2010 - 10:22:39 |Registered| PMCV
Abreu, Bom dia. Você indaga muito bem: "Onde mora a lógica do negócio?". Creio que nos dias atuais, não há lógica para o andamento das coisas, principalmente, no mundo das drogas, onde a competição é sempre uma ameaça, causa ciúmes, inveja e... ao executar o rival, o mandante julga crescer no "negócio", que rende muito, envolve gente poderosa, políticos etc. Tentei em poucas palavras, já que escrevo pouco (esse é o meu estilo) dizer tudo isso. Abraços. Paulo.
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10/03/2010 - 20:40:21 |Registered| PMCV

