
| Indagações (VI) - (FINAL da Série) |
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| Literatura - Ensaios |
Escrito por: Clovis![]() |
Qui, 18 de Fevereiro de 2010 15:21 |
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“... Todos os homens procuram ser felizes; isso não tem exceção... É esse o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar...” (Pascal)
A vida tem dois começos e eles acontecem em locais diferentes no tempo e no espaço. O primeiro acontece no ovário feminino, sob a forma de uma massa em ebulição lenta e constante. Dentro dela formam-se continuamente bolhas que são chamadas de folículos, em cujo interior desenvolvem-se as células que se transformarão nos óvulos. Quando o óvulo está maduro o folículo se desprende da parede do ovário e libera o óvulo na cavidade abdominal. É o fenômeno da ovulação. O óvulo vagueia livre, circundado pelo material folicular que o acompanha. Penetra na trompa que, simultaneamente, começa a exercer movimentos rítmicos de ondulação, no sentido do seu comprimento e na direção do útero, onde deverá se alojar. Nessa fase do processo já se pode observar alguns fenômenos admiráveis. Uma lenta aproximação mútua, do pavilhão da trompa com o ovário, encurta a distância que o óvulo deve percorrer para fazer o trajeto ovário-trompa. Como o óvulo não é dotado de movimento próprio, os cílios que revestem o interior da trompa entram em atividade fazendo movimentos ondulatórios na direção do útero, empurrando os líquidos abdominais numa corrente que carregará o óvulo. Essas atividades que só acontecem quando o óvulo está pronto para iniciar sua viagem, sugerem uma espécie de cumplicidade dos órgãos na intenção de favorecer o acontecimento da vida. O segundo começo tem início no organismo do homem que pode estar a qualquer distância do primeiro evento. Consiste na formação de uma população que pode chegar a um bilhão de indivíduos, chamados espermatozóides, que estão destinados a participar da maior competição natatória do mundo. Nadando a uma velocidade média de 2 a 3 milímetros por minuto, contra a correnteza, os espermatozóides chegam no colo uterino, transpõem o canal cervical, penetram no útero, nadam pelos líquidos da parede uterina até a entrada da trompa e atravessam-na quase toda para interceptar o óvulo no terço externo do conduto. Esse trajeto é feito em pouco mais de uma hora. Parece não ter muita importância, mas essa façanha é equivalente à de um nadador que fizesse a travessia do Canal da Mancha, nadando a uma velocidade de 1800 metros por minuto. Esses atletas frenéticos sabem que direção tomar, porque são fortemente atraídos por uma substância química que o óvulo libera. Nota-se, aí, mais uma cumplicidade no sentido de garantir que aconteça o encontro que vai resultar em uma nova vida. Essas duas entidades estão vivas e, nesse momento, são autônomas, dependem de um organismo simplesmente como ambiente, da mesma forma que dependemos de viver sobre o planeta para podermos respirar e nos alimentar. Uma prova dessa autonomia é a fertilização “in vitro”, que já é um recurso empregado com bastante sucesso. Mas nem tudo está a favor da estabilidade, do equilíbrio. Algumas forças se empenharão em provocar a desordem, em impedir esse encontro construtivo. É a entropia em ação. Poucos espermatozóides, muito poucos, conseguem atingir a marca da chegada. A maioria, ou se perde no meio do caminho, ou morre - por ser o pelotão dos mais fracos - ou são mortos pelas células assassinas do sistema imunológico da mulher, cuja função é destruir qualquer corpo estranho que se introduza no organismo. Esses poucos atletas, que sobrevivem, ainda têm uma prova árdua pela frente. Precisam penetrar na camada de tecido folicular que reveste o óvulo e romper a membrana protetora, para atingirem o objetivo final — esse espetáculo acontece num cenário de dimensões minúsculas, tanto que, o óvulo não sendo maior que esse pingo sobre o “i”, é 85 mil vezes maior que um espermatozóide. — Os que conseguem penetrar a camada folicular dão início a uma operação conjunta de bombardear a membrana protetora do óvulo com uma enzima secretada por eles. Essa guerra se estende por quase 20 minutos e somente um espermatozóide consegue ter sucesso, mesmo assim sua poderosa cauda nadadora fica de fora. No momento que isso acontece, um fenômeno de ordem elétrica comanda o fechamento da membrana e impede a passagem de qualquer outro. Nosso herói perde a cauda e sua cabeça aumenta para quatro vezes o tamanho original, abre-se e libera o núcleo que contém o código genético, 23 cromossomos, que vai direto para o núcleo do óvulo que contém outros 23 cromossomos. Os núcleos se unem e mais um milagre foi realizado. O código genético de uma nova criatura está completo. Nele há tantas informações que, se tivessem que ser escritas, daria uma biblioteca de mil livros com 600 páginas, cada. Aproximadamente vinte horas depois da fusão do núcleo ter acontecido, ocorre a primeira divisão celular, fenômeno que, a partir daí, ocorre a cada doze ou quinze horas. Toda essa festa acontece enquanto o óvulo, que agora é ovo, desce pela trompa em direção ao útero e as células vão se dividindo em escala exponencial; são duas, depois 4, oito, dezesseis, trinta e duas e assim por diante. O novo ser já existe e continua sua viagem para o útero, guiado pelos cílios da trompa e sua chance de chegar vivo lá está na proporção de 2 para 3. Isto é, de cada três óvulos fecundados somente dois conseguem sobreviver aos ataques do sistema imunológico da mãe. Este parece ser mais um dos processos seletivos da natureza somente os óvulos sadios e fortes conseguem ir até o fim. Eles têm mais capacidade para vencer a entropia A descida para o útero é uma viagem de vários dias, tempo suficiente para um hormônio ovariano, a Progesterona, preparar uma cama confortável para o ovo, no interior do útero. É o endométrio. Trata-se de uma intrincada rede de capilares cheia de nutrientes que vão repor toda a energia gasta durante a viagem e continuar alimentando o ovo, que agora é um embrião. Se o óvulo não tivesse sido fecundado, ele não resistiria a toda essa aventura e, quando chegasse ao útero, seria expelido junto com todo o endométrio, transformando-se numa menstruação. A partir da chegado do ovo ao útero passa a acontecer uma série de atividades que, detalhar aqui, seria muito enfadonho por ser repleta de detalhes técnicos, mas pode crer, é de uma magia impressionante. Agentes químicos do organismo materno trabalham com tal intensidade que, em apenas dez dias, transformam todo o interior do útero. A partir do endométrio criam a placenta, o cordão umbilical, conectam tudo ao sangue da mãe e ainda domam o útero para que não execute as naturais contrações para expulsar o corpo estranho. Mais uma luta da vida para se defender dos ataques da entropia. E o que é a entropia? O astrofísico britânico Arthur Eddington fez a seguinte afirmação: “Se a sua teoria contrariar alguma lei da física tudo bem, é possível que a lei deva ser modificada. Mas se essa lei for a segunda lei da termodinâmica, pode jogar a sua teoria no lixo”. A segunda lei da termodinâmica, proposta no século 19 por um médico alemão chamado Rudolf Clausius e pelo físico inglês Lord Kelvin, afirma que o calor sempre flui de um corpo quente para um corpo mais frio, ou seja, há uma transferência de energia de um local para outro, que provoca uma desordem onde havia ordem. Esse é o fundamento da entropia. Por exemplo, você se dispõe a usar o fogão e uma chaleira para aquecer água. Na sua cozinha tudo está em repouso, em ordem. Ignorando os processos entrópicos que você está provocando com sua presença, tais como a queima de oxigênio com sua respiração, a umidade que sai dos poros da sua pele e as partículas de ar que você movimenta com o calor do seu corpo, Tudo está em repouso, em ordem. Você pega a caixa de fósforos e usa uma certa quantidade de energia para pegá-la, para abri-la, para tirar um fósforo de dentro dela e para fechá-la. Resulta uma desordem no arranjo dos fósforos, mas como é uma desordem de caráter mecânico, a ordem sempre poderá ser recuperada, simplesmente com o exercício da sua vontade, independentemente da passagem do tempo. Você atrita o fósforo na lateral da caixa e cria uma desordem química, irrecuperável. A lixa da caixa se gasta e a cabeça do fósforo se inflama. A desordem é imensa. Átomos de oxigênio são queimados, há transferência de calor para o ar do ambiente, provocando um movimento intenso em volta do fogo, os elementos que compõem a cabeça do fósforo passam por uma transformação radical, a madeira do palito se inflama e aumenta a entropia severamente. Você abre o registro do gás e aproxima a chama do queimador, inflamando o fluxo de gás. Uma atividade comum do dia-a-dia de qualquer residência, que, embora simples, interfere no universo, de forma significativa. Na intimidade do nosso corpo temos possibilidade de constatar exemplos dessa batalha. O material básico do corpo é extremamente frágil se uma célula qualquer for isolada do corpo, morrerá em poucos minutos. O material genético, uma porção microscópica do DNA, que existe no interior de cada célula, é mais frágil ainda e mesmo estando entrincheirado no núcleo da célula o DNA sofre danos constantes, provocados por radioatividade, toxinas químicas, raios X, luz ultravioleta, poluição e até mesmo pelo processo natural da vida, na forma dos vilões chamados de Radicais Livres, átomos de oxigênio, altamente reativos, que são liberados quando as células executam o metabolismo do alimento. O DNA é um dos muitos elementos químicos que atraem esses radicais livres e são danificados por eles. A entropia é uma força cósmica que está sempre pronta para destruir a vida. Onde quer que matéria e energia se acumulem em padrões ordeiros, a entropia é desafiada. O corpo humano é um dos melhores exemplos de desafio à entropia. Extremamente organizado e ainda é capaz de acrescentar a essa ordem uma complexidade ainda maior, criando uma força contrária à ação da entropia. Essa força contrária é a inteligência presente em cada célula, que se ocupa em administrar as funções celulares, principalmente a de conservar íntegra a partícula do DNA. Antes mesmo de formada a primeira célula, a presença dessa inteligência já se faz notar no comportamento dos indivíduos que se dedicam, obstinadamente, em se unirem no fenômeno da fecundação, resistindo bravamente a todos os ataques da entropia. Mas a entropia não é apenas essa vilã que aparenta ser. Na verdade, a existência dela é uma necessidade para a garantia da nossa existência e de toda a vida do planeta. A fotossíntese, transformando gás carbônico em oxigênio é a garantia da nossa respiração, que fornece gás carbônico para as plantas clorofiladas respirarem; o fenômeno dos radicais livres que possibilita aos leucócitos exercitarem a função de nos defender dos invasores nocivos; o processo digestivo, que sofrem todos os alimentos que ingerimos, promove a transformação química de várias substâncias em elementos indispensáveis à nutrição e muitas outras funções que quebram moléculas e transformam substâncias, para possibilitar que o universo seja do jeito que é. Tudo isso é entropia e o caos resultante é, na verdade, um estado de equilíbrio e harmonia com o meio ambiente. A busca permanente desse equilíbrio é uma das principais atividades da natureza e de todos os seres que dela dependem, principalmente nós, seres humanos. Quando esse objetivo consegue ser atingido, estabelece-se um elevado grau de satisfação. Experimentam-se sentimentos de vitória e entusiasmo. É a felicidade, que todo o ser humano, sem exceção, busca incessantemente. O objetivo final de tudo o que fazemos é a felicidade. Estudamos, aprendemos uma profissão, trabalhamos, casamos, fazemos amigos, geramos e criamos filhos, com o objetivo final de sermos felizes. O tempo todo. Até mesmo aquelas pessoas que, equivocadamente, enveredam pelos caminhos socialmente condenados estão precisando encontrar a felicidade. Embora possa parecer um paradoxo, até mesmo aqueles que resolvem se suicidar estão buscando a felicidade, por meio da fuga de uma infelicidade que julgam ser irremediável. Mas, o que é felicidade? Como todo o sentimento, a felicidade não tem como ser definida com palavras. Não se sabe, nem ao certo, se pode ser um estado contínuo e permanente, ou se é o resultado de uma somatória de momentos de realização pessoal. No entanto, sabe-se que se trata de algo que traz benefícios inegáveis à sociedade. Estudos sociológicos que há muito tempo vêm sendo feitos, comprovam que estudantes felizes quando ingressam no mercado de trabalho conseguem salários maiores que os não-felizes. As pessoas felizes têm mais amigos, seus casamentos tendem a ser duráveis e de melhor qualidade. Os felizes, em geral possuem mais responsabilidade social, mais sentimento de cidadania, saúde mais equilibrada e tendem a uma estimativa de vida mais longa. Embora não se possa definir felicidade, com suficiente segurança, é sabido que a sociedade humana não poderia evoluir sem ela. Esse foi o tema principal para a formação de um Fórum Universal, em Roma, em abril de 2007, tendo por objetivo medir o progresso das sociedades (World Forum – Measuring the Progress of Societies, April 2007, Rome). “A felicidade pode ser medida?” Essa foi a pergunta central da conferência que reuniu pesquisadores, economistas, banqueiros, representantes das Nações Unidas, do Banco Mundial e de países interessados na investigação do objetivo principal de todos os povos do planeta: A felicidade. Nesse fórum foram discutidas, entre outras coisas:
O interesse em comum, dos envolvidos nesse fórum, parece ser de caráter econômico. Estão empenhados em quantificar a felicidade por meio de números, índices e cotações, visualizando efeitos que estão diretamente ligados ao trabalho e à produtividade. Desde a década de 60, são feitos estudos com a finalidade de se quantificar a felicidade, mas, todos eles têm sido patrocinados por órgãos de divulgação de assuntos da área de economia. Existe um campo enorme para estudo, investigação e mapeamento dos elementos que resultam na sensação de felicidade. Quando se trata de quantificá-la, representá-la por um número, dá a impressão que estamos invadindo o campo das abstrações, pois felicidade é tão somente um sentimento, é algo que se aloja em alguma determinada região do cérebro que já foi identificada pelos pesquisadores da neurologia. Está intimamente associada à vivência de momentos prazerosos, que nos fazem felizes. Ou estamos felizes, ou não estamos e entre esses dois extremos parece não haver qualquer gradação que possa ser representada por um valor que defina intensidade ou quantidade. Até agora o foco das pesquisas teve como alvo as emoções de prazer e desejo, que são facilmente confundidas com felicidade. Quando alguém planeja ter um salário maior, com o fim de se sentir mais feliz, está movido por um desejo. Ao realizar esse desejo e passar a ter condições de comprar as coisas ou os momentos que planejou experimentar, sente prazer que não dura muito tempo, pois se esvai com a rotina ou quando surgem outros desejos ou necessidades, que estiverem fora do novo orçamento. A insatisfação voltará e com ela um novo desejo. Insatisfação que não é, necessariamente, infelicidade e, mesmo que possa ser traduzida como tal, basta mudar o foco dos pensamentos para um dos muitos momentos felizes já vividos, que por certo devem existir em grande quantidade na memória, para reviver inteiramente essas experiências e sentir-se feliz. Na maior parte das vezes, a felicidade não está diretamente associada ao dinheiro, embora este seja um recurso muito útil no universo consumista do mundo moderno. Alguns momentos de intensa felicidade, para serem lembrados por muito tempo, podem ser comprados num pacote de férias. Outros, muitas vezes aninhados num capítulo da vida que não faz parte dos nossos melhores momentos, sem ter sido necessário qualquer investimento monetário, podem ser lembrados a vida toda como momentos muito felizes. Podemos nos sentir felizes, simplesmente, pelo fato de estarmos vivos, ou por termos um corpo perfeito, ou por gozarmos de saúde, ou por termos um emprego e podermos trabalhar, ou por termos formado uma família. E mesmo que não tenhamos algumas dessas coisas, ou nenhuma, ainda assim é possível que encontremos uma boa razão para nos sentirmos felizes. Porque ser feliz é uma questão de vocação natural dos seres vivos. Alexander Soljenitsin, escritor russo que esteve recluso por oito anos num campo de concentração do regime comunista, na Sibéria, depois de ter sido posto em liberdade, registrou suas experiências no romance “Um dia na vida de Ivan Denisóvicz”. Nessa história fica claro que, mesmo diante das maiores adversidades, podem existir momentos de inesquecível felicidade embutidos em fatos, que à primeira vista, possam parecer insuportáveis. Num determinado capítulo é mencionado que os apenados trabalhavam na construção de prédios administrativos e alojamentos para eles próprios, já que as instalações existentes na época, eram simplesmente barracos provisórios. Devido às baixas temperaturas, a argamassa tinha que ser feita com água quente e em pequenas quantidades e usada rapidamente, antes que congelasse. Porém, quando a temperatura baixava dos vinte e cinco graus negativos era impraticável trabalhar, mesmo aquecendo a água. Então, diariamente, um dos prisioneiros escalava o poste onde estava fixado o termômetro e, diante do suspense dos demais, limpava com a manga o gelo acumulado no vidro e verificava a temperatura. Quando estava abaixo da marca do –25, era uma farra. Todos festejavam o momento, pois aquele seria um dia de folga. O único até ocorrer outra temperatura abaixo do limite. Uma situação que para qualquer pessoa mal alimentada e mal agasalhada, como era o caso deles, se constituía numa fonte de desconforto e infelicidade, era festejada porque se tratava de fugir de outra situação muito pior, que era a do trabalho forçado sob um clima extremamente desconfortável. Apesar de todas essas considerações, ainda resta uma grande incerteza sobre o real significado de felicidade. Não se pode nem afirmar se é mesmo um sentimento, se é apenas uma espécie de emoção, ou se é um estado de espírito que escolhemos nos colocar, como é o que experimentamos com as práticas de meditação, ioga e outras que tais. Porém, pode ser concluído que, examinando todas as reflexões expostas nos capítulos anteriores, a felicidade reside nos fatos ocorridos. Isto é, está no passado. Pode ser verificado que o cosmos, desde o micro até o macro, busca desesperadamente o estado de equilíbrio; a felicidade. Vemos essa disposição nas ínfimas partículas, mensageiras da vida, que são no final das contas produtos nossos. Vemos, também, essa busca nos movimentos incessantes, em velocidades vertiginosas, dos gigantes que flutuam no espaço infinito. Restam algumas indagações: A felicidade está relacionada com o amor? É possível, alguém sentir-se feliz, individualmente, solitariamente, sem partilhar alguma parte da sua vida com outras pessoas? Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sex, 19 de Fevereiro de 2010 10:57 |
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02/03/2010 - 10:06:27 |Registered| Clovis


