
| ROSINHA, MINAS MINHA, GERAIS... |
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| Literatura - Contos - Romance |
Escrito por: Escritor![]() |
Sex, 01 de Janeiro de 2010 12:20 |
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Seu nome é José Raimundo, mas lá na cidadezinha de Pouso Alto, no interior de Minas Gerais, é mais conhecido como Raimundinho.
E pra falar a verdade, gosta muito deste apelido. Vem de uma família muito humilde e, desde pequeno sempre ouviu seus pais dizerem que quando tivessem oportunidade, o mandariam para a “Capital”, para que pudesse fazer uma faculdade. A cidade onde sempre morou, trazia sempre o ar da felicidade, da alegria, do verdadeiro sorriso, dos grandes amigos, do aroma do café moído na hora, do amor a terra, do amor ao cultivo, do cheiro do curral, da música sertaneja, do pão de queijo das padarias, do amor às raízes, da relva do campo, do cheiro do mato molhado, do sereno da madrugada e da simplicidade de ser um simples mineiro. E foi desta maneira que cresceu em sua cidade, com seus inúmeros amigos, pois sempre teve uma grande facilidade de conquistar as pessoas com o seu jeito simples, que sabe ter herdado de sua família. E entre estes amigos, em seu íntimo, guardou uma grande amizade por Maria Rosa, também apelidada de Rosinha. Foram realmente amigos inseparáveis, daqueles de guardar o segredo um do outro, para o resto de suas vidas. Relembra como conversavam horas e horas, sobre todos os assuntos e, em meio a tantas aventuras de quando eram jovens adolescentes, ainda arranjavam tempo para passear, irem ao cinema e estudarem juntos. Para ele já estava ficando praticamente insustentável, pois quanto mais ficavam juntos, mais perto Rosinha queria estar e, os amigos começaram a desconfiar e a criarem situações embaraçosas e inusitadas para ela. Perguntavam: - Rosinha, tá apaixonada, ein?... Ou cantavam músicas românticas, quando os dois se encontravam e, tudo o mais para que ficasse vermelha como um pimentão, sem ter o que falar e engasgando nas próprias palavras. Em sua alma, sempre guardou a lembrança de sua grande amiga, mas a mudança para a Faculdade em Belo Horizonte, veio tão rápida, que não tiveram tempo de se despedirem como gostaria. Aliás, nem dela e nem de todos os outros, pois um menino do interior indo para a “Capital”, fazer uma faculdade, virou a notícia do momento naquela cidade e, com isto mal teve tempo para tudo, pois escolher a república, conhecer o trajeto que teria que fazer todos os dias, aprender a cozinhar, lavar e passar roupa, saber qual o ônibus pegar e tudo o mais, tomaram-lhe muito tempo. Do choro incontido de Rosinha, quando o viu entrando no trem, acenando com um adeus, que mais pareceu um “até nunca mais”, recorda-se com um nó na garganta. Lembra-se que o primeiro beijo, surgiu por acaso quando à procura de alguma coisa, os dois ao mesmo tempo viraram o rosto com muita rapidez, encostando os seus lábios no dela. Mesmo sentindo uma certa vergonha e, com o corpo estremecido, ainda experimentou um beijo mais demorado, mas que ficou apenas nisso. Esta passagem guardaram escondidos em seus corações, pois havia sido um momento único, sem ninguém por perto para atrapalhar, ou até mesmo “zonear”, como era o costume da galera. A amizade entre os dois continuou normal, mas muitas vezes se pegaram olhando um para o outro, com um gostinho de “quero mais”. Na verdade tornaram-se grandes amigos e, apesar de todo um sentimento de carinho escondido dentro do peito, sempre pensou que namorar uma menina sardenta e, bem mais gordinha que o normal, não era o seu ideal. E desta maneira os anos se passaram e, em todas as visitas e férias que pode passar com sua família em sua cidade, nunca mais encontrou Maria Rosa, ficando sabendo que a mesma havia se mudado para outra cidade, devido à transferência de seu pai pela Estrada de Ferro Central do Brasil, da qual era funcionário. Sempre procurou saber mais sobre sua grande amiga, mas por mais que tentasse, as informações surgiam truncadas e incompletas. Nem mesmo o nome da cidade ficou sabendo. Na faculdade entre estudos, projetos e provas, nos seus momentos de insegurança, sempre pensava em Rosinha com muito carinho, em todos os momentos que juntos estudando, um ajudava o outro. Agora diplomado, está fazendo todo o trajeto de volta e, dentro do trem aquela moça linda, de corpo escultural, de cabelos louros como o sol, lhe chama a atenção. Continua a ler o seu livro, mas em todas as oportunidades que pode, procura sempre, dar uma passada de olhos em sua direção. Em sua imaginação e num piscar de olhos passa a ver a si mesmo, vivendo uma vida de romance com ela e, por mais que relutasse, em alguns momentos o rosto da tal moça desaparecia, surgindo o da Rosinha em seu lugar. E chegando a sua cidade, bem no interior da sua Minas Gerais, esquece da fisionomia da desconhecida e, vendo na estação sua família e todos os seus antigos amigos prepara-se para desembarcar. A recepção é a melhor possível, beijos, abraços apertados, apertos de mão, lágrimas incontidas, tapas nas costas dos mais íntimos e a felicidade de poder voltar a respirar o ar de um lugarejo que marcou toda a sua vida, da infância até a juventude. O engraçado é que percebeu que se sentia incompleto, pois se pegou por vários segundos com o olhar distante, em uma procura incontida da sua grande amiga, da sua Rosinha. Aproveitando, deixou-se esvair em lágrimas, das quais se lembrava já ter muitas vezes derramado, mas nunca com a intensidade deste momento, com o coração parecendo querer fugir-lhe do próprio corpo. Então reconheceu, o que nunca havia percebido antes, que a sua grande amiga, sempre foi na verdade o seu grande amor e, que gostaria que ela estivesse agora ao seu lado, ou melhor, que nunca pudessem ter se separado. A mão meiga em seu rosto, no intuito de lhe enxugar as lágrimas, o faz retornar a realidade e, como um milagre percebe que a mão que o afaga é a de Maria Rosa, sua, somente sua, Rosinha. O grande beijo que na verdade nunca haviam concretizado, sai dos dois corações, como uma necessidade premente de pertencerem um ao outro para todo o sempre, como um fogo que corrói suas próprias almas, com um misto de saudade e felicidade, com uma tamanha ternura, que todos ali presentes, viraram de imediato simples expectadores de uma cena digna de um grande filme de amor. As sardas ainda estão em seu rosto, mas hoje ele percebeu que foram divinamente implantadas, num toque artesanal do grande artista Deus. Emagrecer ela não emagreceu muito, pois afinal de contas é de sua natureza mesmo. Mas hoje ele percebe o quão bonita Rosinha sempre foi. Agradece por estarem finalmente juntos e, o mais importante que o tempo o fez ver, e que muitas vezes não queremos enxergar... A grande beleza, da beleza interior... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : ![]() |
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07/03/2010 - 22:34:10 |Registered| Cerson


