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A estória de Rita Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Ficção
Escrito por: Lucas Menck
Lucas Menck

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Ter, 20 de Janeiro de 2009 16:45
Rita era um ‘pé-de-boi'. Fazia de tudo na cozinha e era quem arrumava os quartos disponibilizados à clientela flutuante e quem fazia toda a limpeza da casa da pensão.

Estava já em sua terceira década. Tinha um filho, um menino de oito anos apelidado Marolo. Dele dizia ser muito esperto. O menino vivia sob os cuidados de uma senhora ajudando-a a cultivar flores numa chácara onde o marido dela criava carneiros.

O marido, França, deixara a profissão de capinador de roças para um estágio na cidade. As pequenas propriedades rurais estavam sendo engolidas pelos bancos ou sendo incorporadas a latifúndios, entidades que por um motivo ou por outro não precisavam de mão-de-obra sem qualificação.

Na cidade trabalhou para uma pequena fábrica de refrigerantes como ajudante no caminhão de entrega. Ali ficou por alguns anos. Foi quando conheceu Rita com quem se casou. Era um moço calado, bom como ouro, diziam todos.

Um dia cismou. Passou toda a semana cismando e então disse:

-- Meu jambo eu vou embora.

-- De vez?

-- De vez, meu jambo. Amanhã deito os cabelos para São Paulo.

-- Vá hoje.

-- Não brigue. A gente já riu, já chorou.

-- Já! Mas vá hoje.

Ela terminou de enxugar os utensílios e pendurou a bacia de alumínio no prego, na parede. Agora era só jogar a água suja. Como se estivesse falando sozinha, disse sem olhar:

-- Ou amanhã, ou quando for. Não me incomodo. Homem não falta.

-- Cuidado! Pode virar mulher-dama.

-- Difícil. Eu disse que homem não falta. Mas precisa ser homem.

Parado na soleira da porta ele manteve os braços cruzados. Olhara para dentro, mas agora olhava para fora. Rita passou com a bacia de água suja e com as duas mãos ocupadas parou ao lado do marido. Olhando para o rosto dele acarinhou sendo sincera:

--Tipo você! Tipo que mulher-dama não conhece e nunca vai conhecer.

Rita chorou depois, sem deixar ninguém ver.

Chorou porque era assim que ela era. De chorar por amor. De chorar escondido e não na frente dos outros. Porque na frente dos outros importava sorrir.

Soube, vários anos depois, que França encontrara trabalho em São Paulo. Que iniciou fazendo a faxina em um pequeno restaurante e agora fazia o trabalho de garçom.

Deu de ombros.

-- Nem te ligo.

A ferida ainda sangrava.



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A estória de Rita
Ter, 20 de Janeiro de 2009

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Última atualização em Qui, 22 de Janeiro de 2009 02:24
 
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