
Texto interessante e belíssimo poema. Ser poeta é isso - entregar-se de corpo e alma ao trabalho. Amar a poesia.

| O fazer literatura: "Já ouviu falar... do Literático?" |
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| Colunas - O Fazer Literatura |
Escrito por: HiagoRRdeQueiros![]() |
Qui, 18 de Dezembro de 2008 10:50 |
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No dia 17 de dezembro compareci ao lançamento da 10ª edição do jornal
literário: O Casulo, e me surpreendi com os editores do jornal, pois,
tanto no evento, como também na própria edição, trataram de reconhecer um
grande literático: José Paulo Paes.
Este homem foi poeta, tradutor, ensaísta e, acima de tudo, um exemplo literático, como mesmo disse um dos amigos, que conviveram com o poeta, ao afirmar que um traço especial na personalidade do Paes era o de, onde quer que estivesse, estar lá ele com uma caneta na mão e uma idéia na cabeça, pronto a registrá-la. "... um poema é um passarinho...\ que alegremente canta e voa no ar...\ para que eu o escute,\ e traga minha gaiola branca,\ para lhe aprisionar, e pôr meu nome...\ como sendo meu...\ quando ele é de quem o escutou..." LITERÁTICO,(lat: literaticum) sm.: escritor que vive a literatura. Pessoa que antes de se dizer pessoa, disse-se como, pois mostra-se escritor e sim... é uma pessoa que vive de literatura, mas não que tem uma vida toda movimentada, com compromissos ali e aqui... e, só durante uns instantes no dia, senta-se e põe-se a escrever, como que para relaxar.... ou para passar o tempo. O Literático, é aquele que mesmo sentando-se para escrever uma vez por dia... em todo o resto do tempo, entes e depois de sentar-se, ele carregou a idéia, a sequência daquele capítulo, as palavras rimadas do verso... ele carregou a literatura consigo, e não a deixou naquele canto, em casa, esperando-o para quando voltar... esse é o literático. Pode ser faxineiro ou empresário.... mas que faz poesia, ou monta um capítulo enquanto limpa o chão ou coordena uma reunião, este é o literático... este foi José Paulo Paes, um escritor que começou a escrever em 1947 e só parou quando morreu, em 1998! Tese: "A literatura é algo que me vem no silêncio, no estar-me só para pensar-me como estou acompanhado... me vem ela como estar dormindo, sem ouvir e nem ver nada, apenas a literatura... coisa que não acontece o dia todo, e sim.. somente quando é possível..." [Antônio Spadua Letenguhen, romancista.] Antítese: "... ando por estas ruas [de São Paulo] e vejo a poesia se fazer pelas esquinas, pelas placas e por todas as buzinas, os movimentos e as caretas sérias das pessoas que em si não são... são só poesias... [Mário de Andrade, escritor.] Opinião: Convoco a todos os literáticos a apresentarem-se como o espectro da literatura brasileira atual; e nessa responsabilidade de convocador, pergunto a todos: leitores e escritores: até quando essa literatura vai ser coisa do passado, com defuntos sendo canonizados e os vivos vivendo somente para escrever... e assim, efetivamente serem reconhecidos como vivos, quando já estiverem mortos?... sabem até quando? Quando esta literatura atual deixar de ser distração de professorzinhos entediados no fim de semana, para ser séria por ser esforçada, digna por ser sofisticada... e reconhecida, por ser diversificada como uma corrente artística que não se apóia em nada além de si mesma. Convoco a todos os escritores a tornarem-se literáticos! E levarem a literatura a sério... e não como uma brincadeira, pois... o que vejo hoje em dia, é artistas, ou seja: pessoas que expressam sua sensação de mundo pela arte, mas fazem confundindo-se com os receptores... que são as pessoas que lêem e reagem ao que foi produzido pelo artista.... acordem! Leitor e escritor não é a mesma coisa!, e se o leitor se diverte, ou sente-se bem ao ser tocado pela arte, é porque o artista deu até a última gota do seu suor para isso, e não fez tudo brincando, zombando até da arte, como se tudo fosse mera distração... distração como é para o receptor. E... por último, deixo um poema meu, feito já há uns quatro anos, quando comecei a posturar-me frente à literatura atual: Não sou escritor --- sou poeta; não sou tradutor --- sou poeta; não fui filho --- fui poeta; não sou marido --- sou poeta; não sou professor --- sou poeta; não fui aluno --- fui poeta. Não sou graduado --- sou literático; não tenho mestrado --- tenho a literatura; não sou homem --- sou literático; não tenho vida --- tenho a literatura. Livro: Versos Versus Tristeza, 2004. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar :
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